maio 20, 2018

************** QUANDO os DURÕES se ENCONTRAM

robert mitchum
Eles existem desde o início do cinema. São do tipo que atiram primeiro e perguntam depois. Erguendo espadas banhadas em sangue, sacando armas de fogo, socando ou atravessando inúmeros perigos sem qualquer receio, personificam a imagem do homem durão. Cowboys, justiceiros, mafiosos, aventureiros, detetives, policiais, aventureiros, ladrões ou brutamontes que nunca se entregam e fazem de tudo para atingir os seus objetivos

Esses valentões hipnotizam o público, embora muitas vezes utilizem métodos nada éticos. Por que têm tudo para serem odiados e fazem tanto sucesso? Sabe se lá. Sabemos que as principais motivações desses sujeitos são fuga, vingança e dinheiro. Mulheres são utilizadas para passar o tempo, não são levadas a sério. Eles não são bons com as palavras, preferem distribuir bordoadas. 

Selecionei 13 personagens durões. Um dos mais querido é o Steve McQueen de “Fugindo do Inferno / The Great Escape” (1963). Dizem que o ator era o homem que as mulheres queriam ter e que os homens queriam ser. Não é de se espantar que foi eleito pela revista “Empire” como um dos maiores astros de todos os tempos. Imbatível nas telas, na vida real o resultado foi outro, terminando por ser consumindo por um câncer. 

O elétrico “Fugindo do Inferno” demonstra seu carisma e principalmente seus culhões. Para interpretar o prisioneiro de guerra que peitava os nazistas no campo de concentração à prova de fugas, o astro norte-americano exigou que o roteiro fosse refeito, adicionando cenas em que pudesse mostrar na tela suas habilidades sobre uma motocicleta. Confira a lista barra pesada.


ALAIN DELON como Jef Costello
O SAMURAI / Le Samourai (1967)
direção de Jean-Pierre Melville


CHARLES BRONSON como Paul Kersey
DESEJO DE MATAR / Death Wish (1974)
direção de Michael Winner


CLINT EASTWOOD como Inspetor “Dirty” Harry Callahan
PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL / Dirty Harry (1971)
direção de Don Siegel


EDWARD G. ROBINSON como Rico
ALMA NO LODO / Little Caesar (1930)
direção de Mervyn LeRoy


GENE HACKMAN como Jimmy Doyle
OPERAÇÃO FRANÇA / The French Connection (1971)
direção de William Friedkin

com ann sheridan
GEORGE RAFT como Joe Fabrini
DENTRO DA NOITE / They Drive by Night (1940)
direção de Raoul Walsh

com lauren bacall
HUMPHREY BOGART como Philip Marlowe
À BEIRA DO ABISMO / The Big Sleep (1946)
direção de Howard Hawks

com priscilla lane
JAMES CAGNEY como Eddie Bartlett
HERÓIS ESQUECIDOS / The Roaring Twenties (1939)
direção de Raoul Walsh


JOHN WAYNE como Ethan Edwards
RASTROS DE ÓDIO / The Searchers (1956)
direção de John Ford



LEE MARVIN como Walker
À QUEIMA-ROUPA / Point Black (1967)
direção de John Boorman


ROBERT MITCHUM como Capitão Thomas McQuigg
A ESTRADA DOS HOMENS SEM LEI / The Racket (1951)
direção de John Cromwell


SEAN CONNERY como James Bond
OO7 CONTRA O SATÂNICO DR. NO / Dr. No (1962)
direção de Terence Young


STEVE McQUEEN como Capitão Hilts
FUGINDO DO INFERNO / The Great Escape (1963)
direção de John Sturges


abril 12, 2018

** 15 FILMES - O ETERNO CHARME de RICHARD GERE



Altura: 1,78 m
Cor dos olhos: marron claro
Cor do cabelo: castanho
Peso: 76 Kg

Conhecido por sucessos extraordinários como “Gigolô Americano”, “A Força do Destino”, “Uma Linda Mulher” e “Chicago”, o sex symbol RICHARD GERE (31 de agosto de 1949. Filadélfia, Pensilvânia, EUA) declarou em recente entrevista: “Depois do American Gigolo minha vida mudou e foi maravilhosa e difícil. Eu era jovem e de repente as pessoas sabiam quem eu era. Eu só queria trabalhar. Eu não penso em mim como ‘rico e famoso’. Eu simplesmente não estou interessado nisso.”

Budista há 25 anos, o carismático ator está envolvido em causas pela proteção do Tibete, é amigo pessoal de Dalai Lama e após duas décadas de jornadas na China, Nepal, Mongólia e Tibete, lançou um livro de fotografias que tirou nestas viagens. Ele tornou-se vegetariano e está ligado a manifestações ligadas à paz, aos direitos humanos e dos animais.

Criado numa fazenda até ganhar uma bolsa de estudos para estudar filosofia na Universidade de Massachusetts, RICHARD GERE começou sua carreira na Broadway e, nos cinemas, sua primeira participação foi em “Perigos / Report to the Commissioner” (1975), tornando-se um astro em 1980 no papel-título do drama “Gigolô Americano”. Antes de começar a atuar, fez parte de diversas bandas de rock.

Na juventude, teve sorte ao protagonizar bons filmes rejeitados por John Travolta. Experimentou também uma fileira de fracassos cinematográficos. Foi casado com as modelos Cindy Crawford e Carey Lowell, e teve com esta última um filho, Homer James Jigme Gere, em 2000. Além dos casamentos oficiais, viveu um conhecido romance com a artista plástica brasileira Sylvia Martins, nos anos 80. “Estive algumas vezes no Brasil e adorei. Tenho bons amigos lá”, disse em entrevista.

Concorreu a quatro Globos de Ouro, ganhando um deles, em 2002, por “Chicago”. RICHARD GERE nunca foi indicado ao Oscar, não se rendeu ao cinema de ação nem teve uma série de TV. O seu talento sempre foi eclipsado por sua beleza e charme. Uma grande injustiça, pois o galã já provou diversas vezes sua capacidade dramática e cômica.

Entre 51 filmes de sua versátil e atraente filmografia, o blog “O Falcão Maltês” escolheu quinze, por ordem de lançamento. Confira!

01
Tony em
À PROCURA de MR. GOODBAR
(Looking for Mr. Goodbar, 1977)

direção de Richard Brooks

Baseado em uma história real. Durante o dia, professora católica fervorosa (excelente Diane Keaton) dá aula para crianças surdas, sendo considerada um modelo de bom comportamento. À noite, assume sua compulsão por sexo, frequentando bares de Nova York em busca de parceiros. Volta para casa sempre acompanhada de desconhecidos, um dos quais seria o responsável por seu trágico assassinato.

Assustador, estranho e cru, o drama mostra o lado mais escuro de encontros ocasionais sexuais. Aos 28 anos, Gere faz um dos amantes da professora, revelando desde já seu charme imbatível. Boa fotografia em tons escuros e trilha sonora composta por clássicos da disco music.

02
Bill em
CINZAS no PARAÍSO
(Days of Heaven, 1978)

direção de Terrence Malick

Sem dinheiro ou mesmo morada fixa, o personagem de RICHARD GERE e a namorada, Abby (Brooke Adams), partem de Chicago ao Texas para trabalhar numa fazenda. O patrão, portador de uma doença terminal, apaixona-se pela jovem, algo que o casal vê como oportunidade. Fingindo-se irmãos, eles levam a mentira às últimas consequências. O ator se sobressai pela força de seu protagonista em um choque violento de emoções. A beleza plástica da fotografia de Néstor Almendros foi premiada com o Oscar.

03
Julian Kay em
GIGOLÔ AMERICANO
(American Gigolo, 1980)

direção de Paul Schrader

Na história de sexo e política, Gere interpreta um personagem que leva uma vida luxuosa em Los Angeles, trabalhando como acompanhante de mulheres ricas. Sua rotina é abalada por dois acontecimentos: o relacionamento afetivo que começa a desenvolver com Michelle (Lauren Hutton), esposa de um senador, e a acusação do assassinato de uma de suas clientes. Sem poder revelar muito sobre as suas práticas pela natureza do próprio trabalho, ele começa a suspeitar que está sendo incriminado.

Influenciado por Robert Bresson, Schrader filma essa mistura de drama e suspense com uma frieza refinada, retratando um universo de jogos de aparências. Trafegando por meios em que a opulência é regra, o garoto de programa Julian Kay cheira cocaína, topa fazer sexo sadomasoquista e ganha a vida transando com socialites e esposas de políticos. Dentro deste cenário, o ator representa com brilho o homem que por trás do charme carrega doses de fragilidade e solidão. Além de tornar Gere um astro, o filme ficou marcado pelos ternos Armani impecáveis, carros de luxo, a trilha sonora de Giorgio Moroder e a canção “Call me”, do Blondie. 

04
Zack Mayo em
A FORÇA do DESTINO
(An Officer and a Gentleman, 1982)

direção de Taylor Hackford

A história centraliza-se no rebelde Zack Mayo (RICHARD GERE, em papel planejado para John Travolta, que por acabou por desistir pouco antes das filmagens) que viveu sua adolescência entre prostitutas e brigas nas ruas de Filipinas. Ele decide mudar sua vida tornando-se um oficial da marinha. Para isto passa por um difícil curso preparatório de 13 semanas comandado pelo durão sargento Emil Foley, vivido pelo excelente Louis Gosset Jr (Oscar de Melhor Ator Codjuvante).

Neste curso, ele aprende a importância da disciplina, do amor e da amizade. Debra Winger faz Paula, seu grande amor. O filme recebeu vários prêmios e Gere concorreu ao Globo de Ouro de Melhor Ator-Drama. É um longa emocionante, que une uma história de romance, amizade e amadurecimento, demonstrando a força da superação e a vitória da persistência. Destaque para a famosa “Up Where We Belong”, vencedora do Oscar de Melhor Canção.

05
Jesse Lujack em
A FORÇA de um AMOR
(Breathless, 1983)

direção de Jim McBride

Refilmagem de “Acossado”, famoso clássico francês de Jean-Luc Godard. No auge da fama de símbolo sexual, RICHARD GERE em excelente interpretação faz um foragido da polícia vidrado no roqueiro Jerry Lee Lewis e nos quadrinhos do “Surfista Prateado”. Durante uma perseguição de carros, ele mata acidentalmente um policial e começa uma fuga na direção da fronteira do México, com a namorada, a sensual francesa Valérie Kaprisky, estudante de arquitetura que ele acaba de conhecer em Las Vegas. Na maior parte das bonitas cenas, apresenta o ardente casal em movimentadas aventuras. Incompreendido, é um filme inovador e acima da média.

06
Dixie Dwyer em
COTTON CLUB
(The Cotton Club, 1984)

direção de Francis Ford Coppola

Misto de musical e filmes de gangsters durante a Grande Depressão. No centro, Dixie Dwyer (RICHARD GERE), trompetista que salva a vida de um gangster judeu, recebendo em troca um emprego no badalado clube noturno do título, no Harlem. No local, conhece a sedutora cantora Vera (Diane Lane), com quem tem um romance. A relação do casal é explosiva, entre brigas e momentos de carinho e paixão. Eles voltariam a atuar duas décadas depois em “Infidelidade” (2002) e “Noites de Tormenta” (2008). Entre o fascínio do jazz e a violência, não fez o sucesso prometido, mas é uma agradável produção para quem gosta de jazz e crimes. Gere faz um belo trabalho.

07
Pete St. John em
Os DONOS do PODER
(Power, 1986)

direção de Sidney Lumet

O que faz a fama e a fortuna de Pete St. John (RICHARD GERE), um especialista em campanhas políticas vitoriosas, é a atração irresistível que o poder exerce sobre as pessoas. Wilfred Buckley (Gene Hackman), seu amigo e mentor de ofício, só trabalha para candidatos com os quais se identifique politicamente. Já Pete é capaz de trabalhar para qualquer um. Durante campanha para um senador, ele descobre tramas escandalosas. Descobre também que está sendo usado por gente mais esperta do que ele. Termina por ceder às pressões de Wilfred e de sua ex-esposa e repórter do Washington Post, Ellen Freeman (Julie Christie), passando a investigar as circunstâncias que levaram um senador à misteriosa renúncia. No extraordinário elenco, Denzel Washington, E.G. Marshall e Beatrice Straight.

08
Eddie Jillette em
SEM PERDÃO
(No Mercy, 1986)

direção de Richard Pearce

Eddie Jillette (Gere), um policial de Chicago, viaja para Nova Orleans para vingar o assassinato de seu parceiro, mas acaba descobrindo a existência de um complô que mascara as atividades de ricaços descendentes de franceses. Kim Basinger interpreta Michel Duval, que faz a ligação entre o mocinho e o vilão. Neste empolgante policial, o ator num papel durão e Basinger no auge de sua sensualidade. Boa trama com um desfecho tenso.

09
Edward Lewis em
Uma LINDA MULHER
(Pretty Woman, 1990)

direção de Garry Marshall

Concebido para ser um drama, foi reformulado quando caiu nas mãos do diretor Marshall e se tornou uma comédia romântica. Na história simples, um ricaço (RICHARD GERE) encontra uma prostituta (Julia Roberts) no Hollywood Boulevard e a leva para um hotel. Ele se encanta pela moça e acaba contratando-a como companhia pelos próximos dias. Julia Roberts brilha com sua mais que carismática Vivian Ward, mas a personagem não seria tão interessante sem um contraponto como Edward Lewis.

Graças à sensibilidade colocada no personagem de Gere, suas dúvidas, seu jeito tímido e a química com sua parceira, é que o filme nos conquista. O ator recebeu uma indicação ao Globo de Ouro. “Uma Linda Mulher” emociona e diverte. Mérito de seu realizador, de um galã bonitão e de um sorriso feminino que se tornaria lendário.

10
Dennis Peck em
JUSTIÇA CEGA
(Internal Affairs, 1990)

direção de Mike Figgis

Dennis Peck (Gere) é um policial de Los Angeles que sabe o caminho para burlar a lei, e, por isso, o investigador Raymond Avilla (excelente Andy Garcia) recebe a missão de arrastá-lo aos tribunais, a fim de que o faça pagar pelos seus crimes. Porém, ele não vai se entregar facilmente, fazendo de tudo para se livrar das grades. O conflito selvagem entre os dois policiais é tenso e implacável. RICHARD GERE faz um tira sedutor, corrupto e cínico com garra.

11
Jack em
SOMMERSBY – O RETORNO de um ESTRANHO
(Sommersby, 1993)

direção de Jon Amiel

Adaptação do francês “O Retorno de Martin Guerre / Le Retour de Martin Guerre” (1982), de Daniel Vigne. Gere interpreta um militar dado como morto na Guerra Civil norte-americana. Depois de seis anos, ele retorna ao lar. Sua mulher Laurel (Jodie Foster) fica em dúvida se é mesmo o homem com quem casara, já que seu marido era rude e o que retornou é gentil e dedicado. Teria a guerra o transformado tanto assim ou seria um impostor? O amor cresce na mesma proporção que as suspeitas. Se ele não é o mesmo com quem se casou, ela sabe que este é o homem que sempre sonhou. A dupla central rende bonitas atuações nesta história de paixão e mistério.

12
Martin Vail em
As DUAS FACES de um CRIME
(Primal Fear, 1996)

direção de Gregory Hoblit

Esta produção é mais lembrada por revelar Edward Norton, que logo em sua estreia rouba as cenas em que aparece. Mas é inegável que RICHARD GERE tem uma expressiva atuação como o arrogante advogado Martin Vail, que adora aparecer e parece trabalhar mais pela fama que seus casos podem lhe trazer. Ao defender o coroinha Aaron Stampler (Norton), acusado de assassinar um adorado arcebispo, vemos o desenrolar de um thriller inteligente e com boas surpresas, onde o ator encarna convincentemente o ego do protagonista, que aos poucos passa a se preocupar com o caso que tem em mãos ao invés de apenas com sua imagem.

13
Declan Mulqueen em
O CHACAL
(The Jackal, 1997)

direção de Michael Caton-Jones

Um famoso terrorista e assassino (Bruce Willis) é contratado por setenta milhões de dólares para cometer o assassinato de um influente político norte-americano. Os órgãos de segurança dos EUA descobrem o complô, mas se equivocam quanto a vítima, protegendo a pessoa errada. No entanto, existe um preso, membro do IRA (Gere), que é a única pessoa que conhece o rosto deste frio e temível matador de aluguel e tem motivos particulares para ajudar na perseguição.

14
Billy Flynn em
CHICAGO
(Idem, 2002)

direção de Rob Marshall

Um musical primoroso, mordaz e satírico. Entre a realidade e a fantasia, são 113 minutos de prazer. O teatro musical invade uma prisão para mulheres onde a sonhadora Roxie (Renée Zellweger) se encontra com Velma (Catherine Zeta-Jones) e outras tantas assassinas de maridos e amantes. Zellweger, Zeta-Jones e RICHARD GERE têm desempenhos primorosos. O advogado porta de cadeia charmoso é um marco na carreira do ator. Astuto, esperto, safado, dinheirista e competente, ele investe no sensacionalismo e se destaca em cena. Ganhou o Globo de Ouro.

15
Robert Miller em
A NEGOCIAÇÃO
(Arbitrage, 2012)

direção de Nicholas Jarecki

O empresário Robert Miller (Gere) é um embusteiro. Trai a mulher, Ellen (Susan Sarandon), com uma amante francesa (Laetitia Casta) e mexe nos números de suas firmas, com o propósito de vendê-las a um grande banco. Tentando manter as aparências, se vê encurralado pela pressão exercida por sua esposa, pela filha contadora e também por sua amante. O ator é a personificação da ambiguidade moral na pele de um personagem que mantêm ocultas suas imprudências fiscais a fim de preservar o alto estilo da vida que leva. Numa de suas mais bonitas performances, RICHARD GERE traduz com competência essas lacunas éticas no caráter do bem-sucedido enganador.